Domingo à noite, na Band, vai ao ar o Canal Livre com informações e comentários do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que é realmente do ramo. É talvez o mais bem equipado presidente da Petrobras, em 63 anos de vida, paixão e sorte da gigante do petróleo verde-amarelo.
Como é de praxe, o presidente só não falou de previsão de lucros e de reservas. Isso é segredo de negócio. Mas o mercado financeiro especula que os lucros da estatal podem totalizar, este ano, algo perto de R$ 22 bilhões.
Gabrielli comenta a nova escalada de preços do petróleo no mundo. O barril a US$ 60, segundo ele, é pico de mercado ou bolha de mercado. O preço tende a acomodar-se abaixo de US$ 50 no triênio 2006/2008. A Petrobras continua fazendo seus projetos de viabilidade para um barril em torno de US$ 20 (preço para ela) - até porque o custo do petróleo nacional não tem passado de US$ 5. E não US$ 50.
Gabrielli confirma que os investimentos até 2010 vão ficar acima de US$ 56 bilhões, a dólar de hoje, dos quais um quinto destinado ao gás.
A ordem é tornar o Brasil auto-suficiente em gás natural a partir de 2010, assim como tornar-se auto-suficiente em petróleo já a partir do ano que vem.
Sobre o futuro do petróleo no mundo, Gabrielli suspira fundo: pelo consumo atual por unidade de produto ou serviço, o petróleo já acessado pode durar ainda meio século. Mas, pela otimização de máquinas, motores e usinas nos usos do petróleo, aí a coisa pode chegar a 2080.
Bem, o futuro do petróleo tem um bom par de muletas: a perna do aproveitamento cada vez melhor e a perna da substituição cada vez maior. Ou, como acaba de escrever o xeique saudita Zaki Yamani, que pilotou os dois choques da Opep, nos anos 70: "A idade da pedra não acabou por falta de pedra. E a idade do petróleo vai acabar - e não por falta de petróleo".